A Mocréia e o Motoqueiro

March 14, 2009 · Posted in Bla Bla Bla 

No lugar onde eu pego o “fretado” para ir cuidar da minha própria vida toda tarde, um movimentado cruzamento de uma certa avenida de São Paulo, sempre acontece algum tipo de incidente bizarro. E como eu sou um cara de sorte, dentre todas as pessoas que pegam o mesmo ônibus no mesmo horário, normalmente as bizarrices me acertam feito um pára-raios.

Semana passada, não me lembro o dia, nem me importa, eis que acontece a maior delas. Sabe aquelas mulheres bem feias, lá do reino desencantado das mocreônicas? Aquelas que fazem a Fiona se sentir uma miss? Aquelas com cara de maloqueira, fedor de maloqueira e jeito de maloqueira? Então, eis que essa madame invocou comigo, e usou das mais belas palavras de seu extenso vocabulário.

Sim, meus caros, as pessoas que estavam lá podem comprovar isso.

Por fim, depois de perder a abertura de dois sinais em seu monólogo, ela finalmente atravessou a rua jurando vingança eterna.

Pois passaram-se uns dias, e nesta quinta última quem me aparece por lá, no mesmo bat-horário? A mesma, desta vez acompanhada e só olhando pra mim e rindo que dava gosto.

Eis que ontem, sexta-feira 13, depois de uma semana de trabalho, tempo nublado, trânsito ruim, etc, etc, etc, estávamos a comentar:

“Puxa vida, já está dando o horário do ônibus e não aconteceu nada bizarro hoje, que coisa!”

Como num passe de mágica, surge uma moto em nossa direção, e quem estava na garupa? Ela mesma. Desta vez acompanhada por seu suposto marido procurando pelo macho que mexeu com a sua mulher.

Mais hein!?

O distinto senhor, aparentando ter sido alfabetizado, argumentou com dois ou três grunidos que queria partir a cara do safado que mexeu com a mulher dele na rua. Eu até tentei dizer-lhe que a sua mocréia, digo esposa estava pinel, mas depois que eu percebi que seu único neurônio era half-duplex, desisti e me arrependi por ter gasto 4 ou 5 segundos da minha vida com isso. Voltei-me para direção de onde viria o fretado e deixei-o falando sozinho.

O moço foi-se jurando vingaça e prometendo tocaiar para ver se alguém mexeria com a sua mulher novamente. Ele teria nos dado uma lição, deixando todos borrando-se pela sua Corgem, bravura e virilidade. A mocréia foi-se com ele, trepada em sua garupa, rindo-se enquanto aguentava.

Eu me pergunto:

  1. Sexta-feira, depois de uma semana inteira de trabalho, com poucas horas de sono, ainda tenho que ouvir isso? Eu? Mexer com mocréia na rua?
  2. Não estou com tempo nem pra ler os livros que carrego na mochila ou atualizar decentemente o blog, vou perder meu tempo com mocréias e motoqueiros dotados de QI e idade mental de um dígito?
  3. Caceta, o que leva alaguém a ser tão sem noção ao ponto de abordar um estranho na rua e ir contar pro maridinho? Pior, o que leva alguém a ser tão sem noção, capaz de parar o que está fazendo pra ir tirar satisfação com um estranho na rua?

Não me surpreende quando duas pessoas desse mesmo nível se encontram e resolvem as coisas na bala.

Quando eu vim para São Paulo todo mundo me dizia que eu seria assaltado, assassinado e trucidado na primeira esquina, e o primeiro incidente violento depois de quase 3 anos foi um cara de capacete numa CG com uma mocréia tentando fazer bulling? WTF? Estou decepcionado. Esperava mais de São Paulo.

O pessoal que pega ônibus lá ficou até com medo de ser metralhado, sequestrado, chamado de corinthiano ou coisa do gênero, ui!

Se por acaso eles aparecerem denovo e não trucidarem a gente, vamos postar aqui fotos e/ou vídeos do casal, para que vocês tenham uma noção do que significa a expressão “maloqueiro”.

Comments

3 Responses to “A Mocréia e o Motoqueiro”

  1. Edward on April 13th, 2009 23:39

    Legal o seu conto, crônica, etc, foi divertido e deu até para um entretenimento. Mas penso que vc não é paulista e então vai aqui algumas dicas para conhecer São Paulo melhor: ser corinthiano é um orgulho para SP e para todos os que o são e ser chamado assim, melhor ainda. O Corinthians é um clube fundado a partir de entidades de trabalhadores, vindo do povo e da massa que fizeram esse Estado ser a Califórnia brasileira e abrigar todos os “estranjas” que estão aqui hoje, brasileiros, como todos nós paulistas. O Timão vai fazer 100 anos e não abriga em sua base de formação apenas os mauricinhos e patricinhas do Morumbi, mas uma diversidade de povo, por isso é chamado de “no Brasil, o time mais brasileiro”. E por isso tem a maior torcida de SP e a segunda ou primeira de todo o Brasil. Acorda, cabeção, ser corinthiano é orgulho, muito orgulho, é raça, é povo. E ser do povo brasileiro não é de se envergonhar, muito pelo contrário.

  2. blabos on April 13th, 2009 23:52

    Não, obrigado. Essa eu passo…

  3. Khaoz on April 29th, 2009 09:48

    Não resisti e vou “homenagiá o curintia”:

    http://www.youtube.com/watch?v=Q9UB8U7U_S0

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