A Mocréia e o Motoqueiro
No lugar onde eu pego o “fretado” para ir cuidar da minha própria vida toda tarde, um movimentado cruzamento de uma certa avenida de São Paulo, sempre acontece algum tipo de incidente bizarro. E como eu sou um cara de sorte, dentre todas as pessoas que pegam o mesmo ônibus no mesmo horário, normalmente as bizarrices me acertam feito um pára-raios.
Semana passada, não me lembro o dia, nem me importa, eis que acontece a maior delas. Sabe aquelas mulheres bem feias, lá do reino desencantado das mocreônicas? Aquelas que fazem a Fiona se sentir uma miss? Aquelas com cara de maloqueira, fedor de maloqueira e jeito de maloqueira? Então, eis que essa madame invocou comigo, e usou das mais belas palavras de seu extenso vocabulário.
Sim, meus caros, as pessoas que estavam lá podem comprovar isso.
Por fim, depois de perder a abertura de dois sinais em seu monólogo, ela finalmente atravessou a rua jurando vingança eterna.
Pois passaram-se uns dias, e nesta quinta última quem me aparece por lá, no mesmo bat-horário? A mesma, desta vez acompanhada e só olhando pra mim e rindo que dava gosto.
Eis que ontem, sexta-feira 13, depois de uma semana de trabalho, tempo nublado, trânsito ruim, etc, etc, etc, estávamos a comentar:
“Puxa vida, já está dando o horário do ônibus e não aconteceu nada bizarro hoje, que coisa!”
Como num passe de mágica, surge uma moto em nossa direção, e quem estava na garupa? Ela mesma. Desta vez acompanhada por seu suposto marido procurando pelo macho que mexeu com a sua mulher.
Mais hein!?
O distinto senhor, aparentando ter sido alfabetizado, argumentou com dois ou três grunidos que queria partir a cara do safado que mexeu com a mulher dele na rua. Eu até tentei dizer-lhe que a sua mocréia, digo esposa estava pinel, mas depois que eu percebi que seu único neurônio era half-duplex, desisti e me arrependi por ter gasto 4 ou 5 segundos da minha vida com isso. Voltei-me para direção de onde viria o fretado e deixei-o falando sozinho.
O moço foi-se jurando vingaça e prometendo tocaiar para ver se alguém mexeria com a sua mulher novamente. Ele teria nos dado uma lição, deixando todos borrando-se pela sua Corgem, bravura e virilidade. A mocréia foi-se com ele, trepada em sua garupa, rindo-se enquanto aguentava.
Eu me pergunto:
- Sexta-feira, depois de uma semana inteira de trabalho, com poucas horas de sono, ainda tenho que ouvir isso? Eu? Mexer com mocréia na rua?
- Não estou com tempo nem pra ler os livros que carrego na mochila ou atualizar decentemente o blog, vou perder meu tempo com mocréias e motoqueiros dotados de QI e idade mental de um dígito?
- Caceta, o que leva alaguém a ser tão sem noção ao ponto de abordar um estranho na rua e ir contar pro maridinho? Pior, o que leva alguém a ser tão sem noção, capaz de parar o que está fazendo pra ir tirar satisfação com um estranho na rua?
Não me surpreende quando duas pessoas desse mesmo nível se encontram e resolvem as coisas na bala.
Quando eu vim para São Paulo todo mundo me dizia que eu seria assaltado, assassinado e trucidado na primeira esquina, e o primeiro incidente violento depois de quase 3 anos foi um cara de capacete numa CG com uma mocréia tentando fazer bulling? WTF? Estou decepcionado. Esperava mais de São Paulo.
O pessoal que pega ônibus lá ficou até com medo de ser metralhado, sequestrado, chamado de corinthiano ou coisa do gênero, ui!
Se por acaso eles aparecerem denovo e não trucidarem a gente, vamos postar aqui fotos e/ou vídeos do casal, para que vocês tenham uma noção do que significa a expressão “maloqueiro”.
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3 Responses to “A Mocréia e o Motoqueiro”
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Legal o seu conto, crônica, etc, foi divertido e deu até para um entretenimento. Mas penso que vc não é paulista e então vai aqui algumas dicas para conhecer São Paulo melhor: ser corinthiano é um orgulho para SP e para todos os que o são e ser chamado assim, melhor ainda. O Corinthians é um clube fundado a partir de entidades de trabalhadores, vindo do povo e da massa que fizeram esse Estado ser a Califórnia brasileira e abrigar todos os “estranjas” que estão aqui hoje, brasileiros, como todos nós paulistas. O Timão vai fazer 100 anos e não abriga em sua base de formação apenas os mauricinhos e patricinhas do Morumbi, mas uma diversidade de povo, por isso é chamado de “no Brasil, o time mais brasileiro”. E por isso tem a maior torcida de SP e a segunda ou primeira de todo o Brasil. Acorda, cabeção, ser corinthiano é orgulho, muito orgulho, é raça, é povo. E ser do povo brasileiro não é de se envergonhar, muito pelo contrário.
Não, obrigado. Essa eu passo…
Não resisti e vou “homenagiá o curintia”:
http://www.youtube.com/watch?v=Q9UB8U7U_S0