Patxi!!!!!!!!!!!

February 18, 2008 · Posted in Eventos 

Como diversos blogs já noticiaram como foi o dia a dia do Campus Party Brasil, ficaria redundante se eu fizesse o mesmo. Na verdade, não fiz porque não pude, e é o motivo pelo qual não pude, que eu vou contar aqui.

Atendendo ao apelo do agora grande amigo Gustavo Gonzales, publicado no br-linux, aproveitei que estava de “férias” e resolvi me candidatar a uma vaga de voluntário para trabalhar no Campus Party. Eu já participo voluntariamente de projetos de software livre, mas comparecer fisicamente seria a primeira vez.

Entrei em contato, mandei currículo (era para voluntários de nível técnico), e na segunda feira de carnaval, recebi um email pedindo para comparecer no prédio da Bienal no Ibirapuera na terça-feira à tarde.

Chegando lá, fui apresentado ao Polkan (Colômbia) e ao Pablo e Samira (Espanha), que seriam nossos coordenadores. Conhecemos o lugar onde seria o evento e combinamos de estar lá no dia seguinte. Eles esperavam uns 30 voluntários, e lá estavam os numerosos 2. Eu e o agora também grande amigo, Franci.

Voltamos para casa com a missão de encontrar mais voluntários até o dia seguinte. Apesar de todas as circunstâncias apontarem para o contrário, consegui o apoio do meu amigão Geraldo. Muito contente com isso, liguei para um amigo de infância, Fernando, no Rio de Janeiro, e o convenci a vir pra São Paulo pra ser voluntário. Ele que está sempre disposto a ajudar pagou do prórpio bolso e veio só pra ser voluntário. Isso me dixou tão contente que liguei pra minha namorada, Luciana, no Espírito Santo, e a convenci a pegar um avião vir pra cá.

Quarta Feira de Cinzas – 06/02/2008

Eu e Geraldo buscamos o Fernando na rodoviária pela manhã, guardamos as malas, tomamos café numa padoca aqui perto e fomos para o Ibirapuera. Chegando lá, encontramos o Franci junto com o Thiago e Patrícia (novos corajosos) e fomos ao trabalho. Missão: desembolar e prender nas mesas mais de 50 km de cabos de rede (isso mesmo, 50 mil metros de cabo de rede!!!). No entando, o maior desafio era entender o que os coordenadores queriam. O enigma de Babel, foi resolvido com um three-way handshake: Eles falavam pausadamente em espanhol, nós respondíamos pausadamente em português, e fazíamos o tira-teima em inglês. Moleza!

Ao final do dia buscamos a Luciana no aeroporto e fomos todos dormir exaustos de tanto prender cabo.

Quinta Feira – 07/02/2008

Antes da TempestadeNão apareceu mais nenhum voluntário. Éramos seis pra fazer o trabalho de trinta. Fizemos um pacto silencioso de dar o máximo para garantir que a infraestrutura da rede ficaria pronta à tempo. Utilizamos os macetes aprendidos no dia anterior e coordenamos uma equipe do banco de apoio para terminar de prender os cabos. Fomos testar os mais de 5 mil conectores RJ-45. Neste dia, começamos a perder a noção do tempo. Qualquer relato a partir daqui pode estar com a linha de tempo corrompida. Ao nosso alcance estavam três verbos: comer, dormir, trabalhar. A nota do dia foi a idéia de comprarmos aquelas luvas de pedreiro. Elas salvaram nossas mãos de programadores :)

Sexta Feira – 08/02/2008

Desde o primeiro dia vimos que o idioma seria uma dificuldade, mas não um impedimento. Aprendemos que mais importante do que dar e/ou receber ordens, era entender e ser entendido.

Continuamos a testar conectores, e ao final do dia, mais de dois mil metros de fibra ótica deveriam ser lançados e cuidadosamente protegidos sob pesadas e mofadas canaletas de madeira. Metade da fibra foi lançada. A data limite estava chegando. Tensão por todos os lados. Não podíamos falhar. Nos comprometemos com isso.

Depois de muita insistência, o Fernando convenceu o Pablo a sair com a gente para um bate-papo informal, em potuñolish, claro!!!

Sábado – 09/02/2008

Ninho de MafagafosQuatro horas de sono depois da sexta, passamos a manhã posicionando as canaletas para proteger a primeira metade de fibra lançada na sexta, e isso deu um trabalho danado. O grande problema para lançar o restante da fibra, era que ela tinha que ser lançada num momento em que não houvesse trânsito de pessoas, pois uma pisada poderia danificá-la. Ela tinha que ser delicadamente lançada e protegida, ou todo o trabalho poderia ser comprometido. Esse momento só chegou no fim da tarde, e com menos gente dando pitaco, conseguimos lançar o restante da fibra muitíssimo mais rápido. Mesmo assim, varamos a noite lançando fibra. Ponto pra Luciana, que após um anônimo transformar o maço inicial de fibras num ninho de mafagafos, desembolou e organizou todos, um a um, agilizando muitíssimo a retirada dos mesmos após o evento.

Domingo – 10/02/2008

JantarTestes, correções, ajustes e equipamentos ligados. Tudo deveria estar funcionando não importasse o esforço. O evento começaria no dia seguinte. Trabalhamos até uma hora dessas onde o sol já dormia faz tempo. Fomos comunicados do nosso turno de trabalho durante o evento. Trabalharíamos os seis das 23:00hs até as 07:00hs do dia seguinte. Os outros turnos seriam garantidos pelo pessoal da Fundação Vanzolini, carinhosamente rebatizada durante o evento, pelos campuseiros, de Fundação [não, eu não vou escrever isso aqui!!!].

Fomos para casa com um único objetivo em mente: dormir. E foi a única coisa que fizemos durante o dia seguinte inteiro.

Segunda – 11/02/2008, O Grande Dia

Antes de ser atropelado pela manada de ReporterontesChegamos no evento um pouco antes da abertura oficial. Tive a honra de ser atropelado e quase pisoteado por uma manada de Reporterontes que acompanhavam freneticamente o nosso Ministro da Cultura. Creio que rinocerontes teriam sido mais polidos. Ao contrário deles, o ministro foi simpático e educado. Um exemplo a ser seguido.

 

Abertura do Campus PArty Brasil 2008

A partir daí, trabalhávamos à noite e tentávamos aproveitar o evento de dia. Dormir? “Dormir é para os fracos!” E isso causou espanto aos nossos amigos colombianos: “Os brasileiros não são humanos!”, palavras deles…

 

 

Cobertura Tradicional:

Segunda Feira, Terça Feira, Quarta Feira, Quinta Feira, Sexta Feira

 

Os Pontos Negativos

Apesar de prometido durante a inscrição, não houve alimentação alternativa para quem tinha restrições alimentares. Para mim a comida estava legal, mas os vários vegetarianos reclamavam com razão porque quase tudo tinha carne, e recebiam um sorriso de deboche como resposta. Eu vi. Lamentável. O pior é que o único lugar que vendia comida lá dentro cobrava uma fortuna. Obrigando os participantes a sair do parque para comer um sanduíche, e ficarem barrados pela segurança depois. Que vergonha!!!

Sobras de brindes sendo recolhidas, com conteúdo descartado à esquerdaO Troféu “Mico da Semana” vai para uma empresa de telecomunicações, principal patrocinadora do evento, que ao contrário de todas as outras empresas no evento, se negou a presentear os voluntários com uma mochila cheia de propaganda. O mais ridículo foi a desculpa:

“Voluntários não têm direito de ganhar mochilas. As mochilas são para os inscritos pagantes.”

Ok, ok, elas devem estar contadas, certo? Errado. As várias que sobraram foram recolhidas no domingo à tarde. Pára tudo. Eu me candidatei como voluntário, trouxe amigos de longe, tirando do nosso próprio bolso, para ajudar a montar uma infraestrutura de rede que foi propaganda para essa mesma empresa. Aí eu ouço que eu não tenho “direito” de ganhar um brinde. Em primeiro lugar nós fomos voluntários. Fomos lá de boa vontade. Sem cobrar nada. Sem esperar nada em troca. Aí numa hora de folga, eu me posiciono como potencial cliente dessa mesma empresa e pelo fato de ter no crachá escrito “Assistência Técnica”, significando que eu passei a madrugada ajudando a garantir que outros potenciais clientes utilizarem a rede dessa mesma empresa, não tenho “direito” de ter acesso ao material de marketing dessa mesma empresa? Não é meio paradoxal?

O ponto aqui não é a questão de eu querer um brinde. A questão é que eu como potencial cliente fui completamente ignorado só porque trabalhava no evento. Na constituição isso tem o nome de discriminação. De certo eu não vou passar fome por não receber um brinde que não custou mais que R$ 10,00, tão pouco me interessa carregar uma mochila verde fazendo propaganda de graça, já que eu uso uma Targus que me atende muito bem. O ponto é que já que essa tal empresa foi a principal beneficiada com o evento, eu me senti usado, principalmente por ter trabalhado de graça para o bem dela. Por essas e outras, deixei de ser seu cliente ano passado, e não me arrependo.

Essa é da boa: Sexta Feira, voltamos para casa para pegar as malas da Luciana, que voltaria para o Espírito Santo na madrugada de sábado. Acabamos chegando ao Ibirapuera depois da meia-noite. Ao tentar entrar pelo portão 3 como de costume, fomos barrados pela segurança do parque, que alegava ter recebido ordens de não deixar ninguém entrar. Eles se recusavam a chamar a organização, sendo bastante irônicos e desrespeitosos. Detalhe: todos os barrados estavam devidamente credenciados e com crachá do evento, e mais, fora as pessoas que estavam lá para trabalhar, todos os outros (umas quinze pessoas) vinham de cidades distantes e pagaram pra dormir nas barracas do evento. Seriam impedidos de entrar para dormir. Haviam até estrangeiros impedidos de entrar para dormir. Tivemos dificuldade para falar com a organização por telefone, pois os celulares não funcionavam bem dentro do prédio. Resultado: ficamos duas horas barrados no portão, até que um campuseiro veio acompanhar uma moça até a saída e se interou do assunto. Rapidamente ele correu até a assistência técnica e avisou nossos companheiros. Quinze minutos depois apareceu uma “mágica” ordem para deixar todos entrarem. A pé. O carro ficou barrado do lado de fora do parque até conversarmos com a organização (que disse não saber de ordem alguma), e mandarem novamente liberar a entrada, agora do carro.

Outra da boa: Voluntário é multado por se atrazar cinco minutos para trocar o bilhete azul do estacionamento. Veja bem: o cara sai de casa, vai para o Ibirapuera trabalhar de graça na boa vontade, compra um talão inteiro de bilhete azul e é multado por estar trabalhando de graça e se atrazar cinco minutos para renovar o bilhete que já estava pago. Sem direito a reclamar. Voluntário não tem direito a estacionamento… É mole?

Festa Alternativa: Aula de Axé. Fala sério, ninguém merece!!! Em plena madrugada!!! O pior é que teve público!!! E tanto público que teve DUAS edições…

Não conseguir uma foto com o Mad Dog. Até a Luciana conseguiu! :(

Pontos Positivos

Radar Saber M60A maior inovação tecnológica já apresentada Microsoft em um evento: Com uma banda de 5.5Gbps disponível, ela leva ao evento o incrível e inédito cd de instalação do MSN. Como eu consegui viver até agora sem isso?

O nível das palestras em que estive presente (sem dormir :) ) creio eu, estava de acordo com o foco do evento.

A animação da galera. PATXI!!!!!!!!!!!

A Presença do Mad Dog.

Ver o nosso velho amiguinho Radar Saber M60 do Exército Brasileiro.

A Palestra do Marcos Pontes. Sinceramente, uma das mais fantásticas que eu já vi. Ele faz a gente se sentir orgulhoso de nós mesmos, de nossos esforços. Só mesmo ouvindo e vendo os olhos dele brilhando ao falar do significado de representar o país em algo único. Não dá pra descrever com palavras. Foi o único palestrante a ser aplaudido de pé por vários minutos. Essa foi uma experiência daquelas que dinheiro nenhum paga.

Creio que o maior ponto positivo foi ter a oportunidade de trocar experiências com pessoas de outros países. Fizemos grandes amigos que vão ficar para sempre. Aprendemos entre outras coisas, que o idioma nunca será uma barreira enquanto existir respeito e boa vontade. A responsabilidade, a amizade e o comprometimento, são capazes de nos levar a fazer coisas que normalmente consideramos impossíveis. Não falávamos português, não falávamos inglês, não falávamos espanhol. Falávamos algo que era suficiente para desenvolver a sinergia que nos levou a atingir nossos objetivos.

O mais importante de tudo foi que apesar de normalmente não trabalharmos com infraestrutura de rede e suporte, nós nos divertimos bastante. Mesmo virando a noite na Assistência Técnica, mesmo quase não dormindo nada por duas semanas. O que a gente levou pra casa do Campus Party foi um tesouro muito mais precioso que o ouro. Nenhum dinheiro paga isso.

“Aguarde um momento, por favor”

Eu não poderia deixar de citar o Gustavo, que veio da Colômbia sem falar português, apenas com um dicionário de bolso. No primeiro dia eu confesso que olhei e pensei “dicionário na mão? mas isso não é só em filme?” Uma semana depois o cara estava falando português quase que fluentemente. Não me venham com o papo de que espanhol é parecido com português, o cara estava falando português de verdade! Ele insistiu até conseguir. Notável. O engraçado era ouvir dele “Aguarde um momento, por favor”, frase dita toda vez que ele ia pesquisar alguma palavra no dicionário.

Finalizando

Depois das 14:00 hs do domingo, desmontamos todo o equipamento e recolhemos as fibras. Desfazer é muito mais fácil que fazer…

À noite, ainda levamos os nossos amigos estrangeiros para o Encontro Social da São Paulo Perl Mongers que varou madrugada.

Agradeço a todos que trabalharam com a gente e deram seu suor para que o Campus Party Brasil fosse um sucesso.

Algumas fotos dos bastidores podem ser conferidas neste link.

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